Rock On




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PARCEIROS
Sorrisos nascem em meu rosto,
tal como flores brotam nos túmulos;
O que és belo reveste o vazio.
Anndré, (PdM) - […] .

Vida longa ao cinza, e às tuas linhagens. Não me correspondo com outra cor senão esta. Tão linda e imaculada. diz tanto com o seu silêncio, com o teu mistério rústico e fiel; abandonadas sejam as cores, que fazem desse mundo um cenário tão corrompido de emoções inacabadas e humores ervergonhados. Se hoje o mundo é lastimável a tal ponto, é porque existem mais sorrisos do que felicidade, mais lágrimas do que tristeza, mais luto do que morte. São mais cores do que humores, pintaram seus muros que esqueceram de colorir seus corações. Dentro do cenário da vida, tudo se reduziu à ruínas, tudo apodreceu. Por isso sou cinza, por não usar a vida como oposto da morte, e sim como caminho para ela. Por isso sou cinza… por não querer amar, por não poder amar, por não fazer do amor algo necessário para meus sorrisos tortos e raros. Vida longa, ao cinza […].
Anndré, (PdM) Que morram as cores!

Se tu, minh’alma triste
Pudesses cantar
Em quantos tons de lágrima
Saberias chorar?
Anndré, (PdM).

Ventania forte, delatada por galhos secos agressivos batendo na grande janela de vidro. A madrugada vai se agonizando em sombras com o passar das horas. O céu parece estar tão perto, ao fácil alcance de meus olhos cansados. No chão de meu quarto pode se encontrar o meu corpo deitado, jogado pelo longo tapete preto de barbante, ao lado de minha destra há uma garrafa de vinho, que fora um inútil álibi pra uma tentativa de distração, que por um pequeno e ingênuo momento, achei que embriagando-me com generosas doses de álcool, poderia me fizer desligar a mente das preocupações e tormentos que enfestam minhas cabeça e alimentam minha —já rotineira— insônia; Claridades podem se ver, em reflexos ligeiros de relâmpagos distantes, tão distantes que nem se pode ouvir seus trovões ecoarem pelas campinas das cercanias daqui, e mesmo que chegasse aos meus tímpanos o barulho mais estrondoso do mundo, ainda sim não me perturbaria tanto quanto o silêncio que existe dentro de mim. Silêncio. Vazio. Uma bolha sem ar; Hipnose, êxtase, alma rasgada. Sinto meu corpo quente, mas minha pele está gélida como o mármore de um sepulcro. Meus olhos estão abertos, mas meu sentido de visão não reage a nada. Estou deitado, olhando para o teto iluminado pelos raios que já não são tão fortes… Eu, aqui, mas é como se não estivesse. Nasci, cresci, mas é como se já estivesse morto —talvez estivesse—, morrendo cada vez mais, a cada suspiro, pois a pressa de viver é o alívio dos fracos, e a paciência pelo fim é a virtude dos sábios. Na verdade, eu não tenho pressa de morrer, desde que depois disso eu tenha paz e possa dormir —pra sempre— sem medo de acordar para viver pesadelos reais, que brutalizam toda e qualquer vontade que tenho de me levantar desse chão para ser mais um fantoche alienado, vagando pela face mundo buscando respostas para filosofias baratas e tolas.
O chão é frio e me conforta, a vontade de permanecer aqui é absoluta, e não há nada nessa vida mais forte pra mim do que a vontade de morrer, ou qualquer coisa que me tire da vida, que seja bem longe disso tudo que faço parte todos os dias.
[…]
Fechei os olhos, e morri, de novo, mais uma vez, mais uma noite, mais uma vida.
Anndré, (PdM) - Pesadelos.

A decisão que estou tomando é lúcida, decidi sozinho, na plenitude de meu livre-arbítrio. Eu não quero ser encontrado, nem notado, por isso vou me esconder para sempre, numa brecha entre a imaginação dos loucos e a incerteza dos fracos, onde quem for me visitar, jamais voltará para contar histórias. Eu vou para um abismo, onde a unica certeza é o mistério. Já comprei minha passagem de ida, e está em volta de meu pescoço, bem laçada e firme, e ao terminar de escrever esse bilhete escrito por minhas trêmulas e ansiosas mãos, eu saltarei da cadeira, pondo fim a tudo isso. Vou fugir das dores, da angústia. Vou fugir de mim mesmo, que tem sido meu rival mais persistente e incansável. Não tenho certeza se é excesso de coragem ou de temor, não importa. Mas, com certeza, vou rir de tudo isso um dia, seja lá pra onde eu estiver indo.
O efeito dos comprimidos estão se aflorando, meu estômago encolhe, minha língua amarga, e as vezes me falham os sentidos, e não quero que estes sejam o empurrão de minha queda, eles são apenas a saída de emergência, no caso de eu querer olhar para trás quando o caminho já não me permitir voltar atrás, evitando o fracasso de minha morte proposital […] Não culparei ninguém pela minha morte, nem pela minha agonia em vida; Meus atos são conduzidos por meus desejos, e o suicídio, é a unica liberdade. Espero que haja noites frias no desconhecido pra onde irei, e que isto atenue minha alma para o resto de tempo que ainda me resta na eternidade. Padeci. Perdi a guerra contra a vida em busca de viver. Mas nada disso vai importar quando estiverem lendo esse carta, eu estarei distante, vagando onde não existe preocupação, onde eu não preciso medir as consequências de meus medos. Não me importarei com nada, e ninguém. Para o alívio de quem deixei, eu não voltarei. Para o desespero de quem jogará flores úmidas de lágimas no meu túmulo, eu não voltarei. Nunca mais. Nunca!
Eu sempre odiei despedidas, e não mudaria hoje, estou ficando fraco, e minhas vistas estão se ofuscando. Os gritos inflamáveis dentro de minha mente calam qualquer voz que me fizesse mudar de ideia, então, é isso, darei fim ao que nunca realmente existiu, deixo a vida que jamais viveu, sonharei o sonho de qualquer um que vivesse o meu pesadelo. Espero nunca morrer também nas memórias de quem amei; Abraço a morte aqui, e agora, para ver-me livre de meus demônios assombrantes. Adeus…
Anndré, (PdM) - Talvez seja apenas mais uma carta de suicídio não lida.

Se hoje eu sorrio, é porque a dor já faz parte de minha rotina.
Anndré, (PdM).

   ”Neste quarto escuro eu tento enxergar meus sonhos que se perderam nesta madrugada ao abrir de meus olhos; Está difícil me manter forte neste mundo claro, sabendo que quando eu durmo, por mais tristes e obscuros que sejam meus sonhos, comparando ao mundo que me encontro acordado se torna apenas um pesadelo passageiro, quebrado com o nascer do sol de mais um dia monótono que acaba de se iniciar […]. Enfim acordo, e tomo minha dose de loucura diária, pra ter a ousadia de levantar da cama e guerrear contra o dia lá fora, infestado de mortandades que me assombram do acordar até a hora de dormir.

    O quarto já não está tão escuro, a claridade está invadindo, meus sonhos se perderam de vez, e a morte lá fora me convida pra dançar.

                                                          —Anndré (PdM).


Quantas vezes chorei no escuro pra que não visse minhas lágrimas?
Quantas vezes eu vesti meu rosto com um sorriso que não era meu?
Quantas vezes reneguei minha felicidade pra poder ver a sua?
Quantas vezes deixei minhas vontades de lado para satisfazer seus infantilidades?
Quantas vezes me rebaixei aos trapos pra envaidecer o seu maldito ego?
Quantas vezes sacrifiquei os meus sonhos pra realizar os teus?
Quantas vezes me silenciei pra te poupar de meus gritos amargurados?
Quantas vezes acalmei meu ciúmes acreditando em suas notáveis mentiras?
Quantas vezes?
[…]
Olho para o meu passado e me enforco em arrependimento, por ter morrido tanto tempo em acreditar que o amor que eu tinha por você poderia ser a cura de seus defeitos… me enganei; Me reconstruo todos os dias, tentando viver sem olhar para trás e pisar nas armadilhas que as memórias traiçoeiramente me trazem, tento me sustentar diante das tristes nostalgias que ressurgem das cinzas, mas me mantenho. Só não quero me prender ao que não vale a pena. Cansei de projetar castelos de areia, cansei de nadar tanto e nunca ver a praia… cansei de ser idiota. Adeus! E desta vez, pra sempre.
Anndré (PdM), Cansei de chorar por quem não merece minhas lágrimas. 

Aprendi a mentir com os olhos. Além de falsos sorrisos agora carrego comigo miragens no olhar; Escondo de todas essas pessoas medíocres o que não lhes seria compreendido. A visão das pessoas param na máscara que me refugia, quando na verdade, é só uma fortaleza que trago, que faço, para manter em segredo minhas lágrimas de angústia, meus gritos desesperados, meu suicídio reprimido; Por dentro, está tudo oco, tudo trincado. Minhas estruturas já não suportam meus próprios humores, e realmente não sei de onde ainda tiro forças para continuar vagando por ai, sem saber pra onde ir, nem o que esperar. Só vagando, às molduras do preto e branco, embriagado de tristezas, tentando me encontrar.
Anndré (PdM), Vida morta, sorriso falso, olhar vazio.

Viver se tornou um sonho, e minha vida tem sido sonhar. Minha dores já sabem meu nome, minhas formas, minha face, minha força de emenda. E o medo me abraça, me rege, me quebra, desejando que eu me renda […] Que os dias tranquilos aveludem a sombra do meu futuro, os ventos soprem ao meu favor, e do amor… quero a distancia exata: Não tão perto, para que ele sempre venha me visitar. E não tão longe, para que ele não ouça minha solidão gritar.”
Anndré, (Prisioneiro dMorte)

Se minhas dores brotassem como flores, e atraísse pra si as dançantes borboletas, eu teria em mim o mais belo e trágico de todos os jardins.”
Anndré, (Prisioneiro dMorte)

Se tal caos mortífero cair sobre os meus jardins, colherei minhas ultimas rosas negras, por fim. E se o destino quiser. se puder, por favor, peço para que mate-me ali, para que a pureza das flores reguem o final de tudo aquilo que eu sempre fui pelos caminhos que passei, que andei, que vivi; O fim chegará, e sempre chega, mas só para aqueles que temem o fim. Para quem o deseja, ele é apenas o descanso dos medos, o sono dos desejos. Pois até eu que amava a vida, não tinha medo de novos começos.”
Anndré, (Prisioneiro dMorte)

De tão desiludida, renunciou todo o amor que tinha. Tomou controle de suas emoções, por estar tão cansada de lutar por um amor que jamais se tornaria real o bastante pra fazê-la sorrir. Seu coração assim foi esfriando, congelando, como o mármore gélido de um sepulcro fúnebre; Forte ela estava, como nunca antes estivera. Tomou para si a valiosa lição de que pro amor te fazer sorrir duas vezes, deve-se chorar amargamente por duas longas noites; Seu frágil, e recém curado coração, não suportaria tais novos impactos. Ela estava cansada de colecionar estragos em sua vida. Não havia mais espaço pra tristezas. Ela estava a um passo de se quebrar novamente, e com isso talvez perdesse os motivos, os desejos, e a capacidade de voltar a amar um dia. Se apaixonar novamente seria um ato suicida. Seria apenas mais uma tragédia em sua vida, composta de promessas, ilusões e mentiras.
Anndré, (Prisioneiro dMorte)

Juro que tentei te tirar das minhas lembranças de todas as maneiras que eu encontrei jogadas pela minha capacidade de esquecer. Juro que tentei. Usei e abusei de todos os vícios pra te tirar de meus pensamentos, e, por vezes até achei que tivesse conseguido. Mas logo vinha a noite, traiçoeira, me trazia a solidão e me surrava com o frio de uma madrugada interminável, sobre uma cama gelada e espinhosa; Por essas e outras que eu ainda te amo, mesmo sem querer amar. Ainda te quero, ainda te chamo, como a noite pelo luar, por me sentir incapaz de sem você continuar. Não quero mais sufocar meus sentimentos dentro de meus gritos mudos de aflição. Não quero mais fazer parte disso. E mesmo que você me avelude com o seu desprezo tão sonegado, eu jamais vou acatá-lo como um adeus, pois de tanto que já sofri por esse amor, já aprendi a conviver com a dor. E nada mais tenho a perder, a não ser o tempo de dolorosos martírios noturnos, esperando você aparecer e me convencer que desta vez você não vai partir quando o dia amanhecer.
Anndré, (Prisioneiro dMorte)

   ”O amor é como uma criança que se esconde atrás de uma inocência manipuladora e atraente. Um rosto cuja pureza me foi transpassada facilmente no instante que me deparei com ele. Por si só é de uma beleza deslumbrante e singular, —cativante— e de impossível compreensão. Sua transparência é tamanha que até mesmo distraído se pode notá-lo, mesmo que não fite-o, sabe-se que ele está ali, só esperando pelo primeiro olhar, pra que assim possa capturar uma atenção e fazer com que nos perquemos na imensidão de seus olhos ingênuos e predadores.

    Essa linda garotinha que é o amor, sorriu para mim, —me atraiu— da maneira mais hipócrita e discreta possível. Me iludi espontaneamente ao meus limites com essa caridade farta e de tão fácil acesso. E então eu cedi. —Me desmontei por completo, como uma torre de cartas ao vento—, sem opções. Desmoronei sobre o descaso de um sacrifício insano.

    Algo dentro do meu consciente gritava, para que pudesse sentir a vida que nunca foi dada a mim. Uma vida tão bela de se ver, de se contemplar. Um quadro abstrato tão belo de se pintar. Mas, —em tempo— me dei conta de que jamais pude abraçá-la, senti-la em mim com um toque convincente de eternidade como parte de sua própria carne.

    A vida fugiu de mim, espantada pelo amor, antes que eu aprendesse a conviver com ela. Como as sombras sobre o sol ela correu de mim, se assustou com tantas dores e mágoas que o amor me lançou. E assim a vida partiu de mim, deixou meu corpo pulsante, e me trancafiou dentro de uma frieza que brotara com o adeus dito.

    O amor veio, como uma nuvem branca e suave, e antes que eu abrisse minha a janela para senti-lo de perto, ele devastou a minha vida, impetuosamente voraz, como uma tempestade cinza e densa, —daquelas que se mostram o fim do mundo—, de aflições e amarguras.

    Destruiu tudo que estava ao seu alcance, e partiu, assim como a vida em mim, não deixou rastros, cartas, e nem mesmo sinais de que voltariam.

    Eu acabei ficando frio, aqui, apodrecendo sobre a sombra da ilusão, da solidão, temendo cada dia mais a visita indesejada daquela bela garotinha. Aquela linda e delicada criança —aparentemente indefesa— que te oferece o suicídio, em forma de coração. 
                                                                —Anndré Frëak, (Prisioneiro dMorte)