Blood, Sex, Darkness
— ''É na decadência de seus sorrisos que se nota o vazio de tua alma.''
(Annd Yawk)
asked: Anonymous
Boa noite Annd! Tenho curiosidade em saber como é sua voz, recitaria uma de suas poesias um dia, pelo vocaroo pra gente? D;

Acho pouco provável, estou sem microfone. D:


“Nascemos nus, partiremos nus.
Não há vergonha em algo tão natural.”
~ Paloma Lima (via vondevour)

Vênus que piscam, e faíscam holocaustos:

me encanto
ante aos mantos da noite
que lá longe afloram cáusticos
dos olhos entoando um canto
como quem chora,
como quem canta,
como quem se desmancha
frente a devastação de uma história
escorrendo gangorras
poentes; e mêmores lantejoulas
tropeçando eternidades
em giz-de-cera.

Meus versos nuvens
dando-te versos de comer
por versadas manjedouras
de pijama-pitangueira
correndo nas brumas de areia
por lendas; e nas luas cheias
brancas, a prantear
também tive pesadelos
e estive nas cirandas
das crianças de rua
na doçura do sonhar…

De abajur em pingo me faço estrela; sou o cântico do silêncio no naufragar dos remos, sou o moinho que orquestra os ventos, sou a póstuma manhã cinza das labaredas, sou o poeta e o pêndulo, e também sou as pegadas na areia do tempo que perseguem as sandálias do morrer.

Sou a cegueira de quem esquece o dia de nascer.

E nestes teus mesmos olhos,
nos minguantes almejos
planto meus desejos do sempre
e o erro de nunca amar.

Eu estive nas matizes
e morro
no chão do guaxe seco
e moro
nos horizontes e nos bueiros
do sulfite, dos cirros, e no vão
dos teus desesperos.

Cirandei e debulhei orvalhos nos romances dos teus olhos de cordel; pendurei teus lábios em barbantes com o esmero de um castelo de cartas, ao remetente e ao correio errante, pra me estontear com o fel de aquarelar em chumbo teu céu, e jamais deixar a poeira tomar a prateleira dos instantes.

Cantei mares em tua janela
joguei flores no teu telhado
fomos, por um segundo,
óleo sobre tela…
pareci apavorado
e comecei a tremular
mas era só medo cruel
de ser tragado
pelos tremores e tornados
que haviam em teu olhar.

Teus olhos-sépios, lantejoulas, caos e cosmo visto do celeiro, estes são profundos, pequena… cabem neles o fim dos tempos, a essência enlouquecida dos poemas e um pôr-do-mundo inteiro…

que confesso,
à mercê,
que esse teu profundo olhar
parecia um tiroteio
disparando nevoeiros
quando vosmecê,
com esse teu crespo jeito
se apunhava a me fitar,
no enoitecer das silhuetas…

A poesia é meu carrasco,
meu culpante,
meu pecado,
minhas vísceras na sarjeta
guilhotina e metáfora de gume sangrado.
— Traga-me teus olhos ceifadores e meus demônios de pelúcia pro café das seis!

~ Annd Yawk







asked: Anonymous
Boa noite!

Linda noite.


sobre te querer:
os trejeitos da minha poesia confessam
o que os meus versos não cansam-se de dizer:
te desejo,
assim meio sem jeito,
assim do seu jeito
assim de jeito que
eu posso fazer de você.
porque o encanto nunca foi uma declaração completa.
há sempre mais. suspiros, risos, um taquicardia deliciosa, a falta de fôlego que não mata, o desespero com gosto de reticência.

ainda bem.


“Akai Ito”

Eu amo as linhas em suas mãos, pois sei que a minha vida perde-se nelas.
Eu amo as linhas entre as suas sobrancelhas, pois o meu olhar repousa entre elas.
Eu amo as linhas em seus olhos, pois nelas guardei o meu beijo.
Eu amo as linhas da sua boca, pois elas traçam o meu desejo.
Eu amo as linhas do seu queixo, pois sobre elas a minha preguiça dorme.
Eu amo as linhas do seu pescoço, pois é onde meu olfato sente conforto.
Eu amo as linhas do seu peito, porque é nelas que eu deito e amo o tempo ao seu lado, mesmo sendo pouco.
Eu amo as linhas em seus pés e nos seus braços,
eu amo as linhas do seu joelho e das suas costas,
eu amo as linhas que correm entre seus dedos e unhas,
eu amo as linhas da sua testa,
eu amo as linhas do seu coração e, principalmente,
eu amo as linhas da sua vida.
Eu amo as linhas da sua vida, porque elas se enroscaram com as minhas.

(Thayane Thandra)


divina II e o louco apaixonado

divina
presa em suas dores
é tão pequenina

divina, a sua sina
não é abrir os olhos de manhã
pela janela que te ilumina
virar à esquerda
e ver que você não tem ninguém

divina, vire aquela esquina
em que nos conhecemos
eu estarei lá

pois você é divina
é ao pé da letra
e eu te amo
e eu te cheiro
te viciei
como cocaína

não é a betina
não é a clementina
não é ninguém
além de tu, menina

esquece as dores
saia da neblina
ainda há uma aorta
que te mantém viva

há vida
há luz
luz divina

divina, sua sina
é ser minha.

andressa do amaral


Por teus olhos negros…

que me trazem o desespero em náuseas e romances pulsantes, meus suspiros hão de cravar-se em insônias claras, pra que nas sépias linhas da folha errante, eu me escravize às nuvens da tua boca rubra, da tua pele pálida, da tua sede, das tuas curvas, das tuas desatinas loucuras, dos teus venustos traumas…

Por tantas luas que açoitaram-me as noites,
derramei-me em aquários; ermo, eu,
apanhando flores nos oásis traidores da tua boca,
e me esmigalhando em poeira e poemas,
morrendo até que o cimo de minhas gamas trema,
ao pé da sombra dum obelisco mirro
nos desertos em que meus pés tão crespos
deixaram rastros com os pesadumes meus!

Faço colheitas de universos, enterro uma pirâmide no caos…
Até que o inferno me sopre os fôlegos, perdurarei!

Posto a chuva num olhar devastador, me curvo
ao suicídio da forca! no lastro dos teus beijos umbrais
que embevecem-me. Não te caminhes os pés por invernas dunas,
tampouco em geleiras emperradas na despedida do cais;
a tua vivência é rasamente moribunda! E me afogaria os dias, ver-te,
sem vertente, nas águas profundas de meus espinhos abissais.

Por hora e vida, mesmo o sangue me sepulta às cinzas da areia;
ser soterrado no tédio dói menos que a tortura da tua ausência…

Galoparei minhas auroras rés pelas praias que o céu me curva,
como uma partitura ou réquiem, entoada ao pé do teu ouvido.
E serão de crisântemos e petúnias os meus horizontes,
e pincelarei, em todo cirro, com esmero e versos casmurros,
o tormento que é amar-te sem que me ames ao mesmo tempo.

~ Annd Yawk


PROMISSE ©